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Como ingressar e seguir a carreira de bombeiro militar

“O que você vai ser quando crescer?”. Acho que todo mundo já deve ter ouvido várias vezes esta mesma pergunta, certamente esboçando uma reação diferente, de acordo com a fase de sua juventude. Dentre as crianças, pelo menos, sou capaz de apostar que 9 dentre 10 cogitam um dia ser bombeiro quando crescerem. Acredito que a elevada credibilidade popular, aliado ao caráter desafiador e assistencialista da nossa profissão sempre farão brilhar os olhos dos pequenos sempre que tornarem a ouvir esta mesma pergunta: “O que você vai ser quando crescer?”. Se você um dia respondeu “eu quero ser bombeiro!”, mas agora se depara com um mar de dúvidas a respeito da profissão, diante de um mercado de trabalho altamente diversificado, com um vasto leque de opções, você está no lugar certo. Estamos iniciando uma série de posts que visa esclarecer os candidatos à carreira bombeiro militar, com todas as verdades e desafios que devem ser superados pelos que almejam ostentar a farda mais bem quista pela população mundial.

1º Passo: A opção pela carreira militar

Se você pensa em ser bombeiro, antes de tudo, vale ressaltar um importante detalhe: no Brasil, nós somos militares. Este adjetivo encontra amparo legal em nossa Constituição Federal e, por consequência, nos cabem todas as prerrogativas e obrigações enquanto vinculados a esta condição. Em síntese, isto significa: estar submetido a um plano de carreiras rigorosamente subdivido em postos e graduações; conviver com a hierarquia e disciplina como valores fundamentais na vida militar; estar sujeito à legislação específica militar, às continências e regulamentos etc. Vale ressaltar, todavia, que, diferentemente das Forças Armadas (Marinha, Exército e Aeronáutica), que são militares federais, nós somos militares estaduais, da mesma forma que a Polícia Miilitar, sendo submetidos às medidas governamentais no âmbito estadual. É por isso que, para os Corpos de Bombeiros, a carreira varia de estado pra estado, inclusive o salário e demais benefícios. Vale se informar, então, como é que funciona o serviço aí no seu estado (sugiro que acesse os sites oficiais e dê uma olhada).

2º Passo: Concurso público

Há um certo tempo, especialmente depois da Constituição de 1988, que o ingresso no serviço público praticamente se limitou à prestação de concurso público. Com os Corpos de Bombeiros não foi diferente. Hoje, de acordo com a necessidades e disponibilibidade (acima de tudo) dos estados, são abertos editais de concurso público para a carreira de bombeiro. Veja alguns:

 >>> Aberto concurso para o Corpo de Bombeiros Militar de Pernambuco, >>> Abertos concursos para o Polícia e Bombeiros em Alagoas e Paraíba, >>> Aberto concurso para o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, >>> Aberto concurso para Corpo de Bombeiros de Santa Catarina

Os pré-requisitos, o grau de dificuldade das provas e a concorrência variam de estado pra estado e de acordo com a instituição organizadora do processo seletivo. De certo, temos o seguinte: para ingressar na instituição, o candidato passará por uma seleção que inclui exame intelectual (prova teórica), exame de saúde, teste físico, exame psicoténico e investigação social. O conteúdo do exame intelectual geralmente aborda o conteúdo de ensino médio (antigo 2º grau), mas já há estados que fazem a exigência de nível superior e outros até de CNH. Após ser convocado dentro do número de vagas do concurso, o candidato deverá apresentar uma série de exames de saúde (custeados pelo próprio candidato), como hemograma, eletrocardiograma, teste ergométrico, espirometria etc. (resslate-se que estapa etapa também é eliminatória e visa detectar problemas de saúde que impossibilitem o candidato de trabalhar como bombeiro). Pra quem tem costume de se exercitar, o teste físico para ingresso não é nada muito complicado, é basico, mas pessoas sedentárias ou com excesso de peso sentem dificuldade e muitos são reprovados (um mínimo de condicionamento são suficentes para passar nas provas, que geralmente incluem corrida, natação, flexão de braço no solo ou na barra e abdominais, dentre outros menos frequentes). O psicotécnico visa aferir caraterísticas que enquadrem o candidato dentro do perfil psicológico almejado para aquele cargo (acho isso tudo muito subjetivo, mas não vamos entrar em detalhes). Por fim, a investigação social é destinada a verificar os antecedentes e a conduta social do canditato, desclassificando aqueles que apresentarem uma conduta civil comprometedora.   

3º Passo: O curso de formação

De uma forma mais didática, até para que seja mais facilmente compreensível os diferentes níveis carreiras enquanto bombeiro militar, dividiremos este tópico em duas partes:

a) Curso de formação de praças: este curso é destinado aos candidatos aprovados em todas as etapas do concurso público para soldado, sendo etapa obrigatória para o ingresso nas fileiras da corporação. Possuem duração máxima de um ano e alguns já habilitam o soldado até a graduação de 3º sargento. No curso, são vistas diversas disciplinas militares e técnico-profissionais, onde o soldado deverá aprender desde a prestar sua primeira continência até combater incêndios em condições de extremo risco*, habilitando-o a exercer as funções de execução operacional. Após a formação, o soldado passará a atuar e concorrer à carreira de praça combatente (soldado> cabo> 3º sargento> 2º sargento> 1º sargento> subtenente). Após passados todas estas graduações, alguns ainda ingressam no quadro de oficiais (em alguns estados, a legislação permite que se chegue até o posto de tenente-coronel). 

b) Curso de formação de oficiais: esta etapa é obrigatória aos aprovados em todas as etapas do concurso público específico para oficiais, geralmente mais concorrido por possuir uma carreira mais atrativa, inclusive do ponto de vista salarial. Aqui, o aluno já ingressa como Cadete ou aluno-oficial, possuindo graduação superior a do subtenente. Por muito tempo, sua duração na maioria dos estados foi de 03 anos (inclusive o meu, que concluí em 2006, em Pernambuco), emitindo aos Aspirantes (assim são declarados os que concluem o curso) um diploma de nível superior (funciona mais ou menos como uma “faculdade militar”). O CFO tradicional acontece em grandes complexos educacionais, as famosas academias militares, funcionado boa parte deles em turno integral e em regime de internato, onde o aluno só é liberado aos finais de semana. A rotina é intensa e a exigência disciplinar é elevada (acostume-se a engraxar os coturnos, engomar a farda e até passar ferro na cama!), submetendo o Cadete a uma cansativa rotina de estudos, treinamentos militares, atividades profissionais e práticas esportivas. Entretanto, as atuais tendências são de formar o oficial em um tempo mais curto (no máximo 02 anos), exigindo, em contrapartida, o nível superior como pré-requisito  obrigatório para o ingresso dos cadetes. Após formado, o Aspirante-a-oficial passará por um estágio de 06 meses, normalmente, e seguirá sua carreira de oficial combatente, a saber: 2º tenente> 1º tenente> capitão> major> tenente-coronel> coronel (não há general nas forças auxiliares, que é posto privativo do Exército Brasileiro.

 

*Veja mais sobre o conteúdo dos cursos de formação baixando os seguintes manuais:

Manual Básico de Fundamentos de Bombeiros Vol. I

Manual Básico de Fundamentos de Bombeiros Vol. II

4º Passo: Defina a sua área de atuação como bombeiro militar

Nem só de apagar fogo vive o bombeiro, embora para isso tenha sido criado. As áreas de atuação nas fileiras bombeiro militar são bastante diversificadas, de modo que posso até afirmar ser possível optar por uma dentre as várias carreiras internas que dispomos. Combate a incêndio (urbano e florestal), Atendimento pré-hospitalar, Salvamento aquático, Salvamento terrestre e em alturas, Produtos Perigosos, Fiscalização de edificações, Perícia de Incêndio, Mergulho de resgate, dentre outras, são as possibilidades de especialização operacional na profisão. Vale lembrar que também há músicos, motoristas e profissionais de saúde (médicos, enfermeiros, odontólogos, psicólogos, fisioterapeutas etc.) ocupando os diversos cargos auxiliares dentro da instituição. A escolha é sua! Na maioria dos estados não há um concurso específico para as áreas operacionais (sei que no Rio de Janeiro existe concurso específico para guarda-vidas), portanto, é possível migrar de área em algum momento e mudar os ares.

áreas de atuação dos bombeiros

Sei que esse tema é um mundo e, pra quem se interessa em ingressar na profissão, falta informação ou dizem muita coisa errada por aí. Farei mais posts sobre a carreira, dessa vez para tratar de tópicos específicos. De qualquer forma, espero ter ajudado a “clarear as idéias” aos que garimpam esse tipo de informação profissional na net. Vida por vidas, esse é o lema.



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